em tempo: esse texto, tal como outros, estava engavetado nos meus arquivos, aguardando refinamento para ser postado posteriormente. Mas como vão passando os meses e eu nunca consigo parar diante desses textos para concluí-los, decidi postar esse, mesmo sem estar concluído. Ainda assim, espero que seja abençoador.
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“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem”. (Hebreus 11:1)
“Cuidando que ninguém vos venha a enveredar por sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo”. (Colossenses 2:8)
Já faz cinco anos que estou estudando o ofício do historiador. Mês passado obtive o título de bacharel nessa ciência. Algo importante em ser cristão e historiador é o estigma de que a História acaba com a fé das pessoas. Não é sem motivo, hoje compreendo melhor isso. A visão de mundo da pessoa que estuda história muda, e, creio, jamais retornará a algo semelhante do que foi.
Antes de tudo, é preciso ter em mente o que é a Ciência História (ou a História, enquanto ciência). Ela não é um catálogo de verdades. Não é um registro das coisas que aconteceram, e principalmente, não é a verdade dos fatos. Isso é totalmente impossível para o homem, conhecer, seja por meio das ciências ou qualquer outro meio. O homem é limitado, mente e espíritos incapazes de contemplar o mínimo necessário para compreender o que poderíamos pensar como sendo verdade. Só com a ajuda do Espírito Santo o homem pode começar a andar nesse sentido. A História é uma ciência que muda com o tempo e o lugar. Isso é igualmente verdadeiro para qualquer Ciência Humana. A História, sempre limitada, é sempre uma mera interpretação de fragmentos do mundo. A História, como qualquer outra ciência, é incapaz de trabalhar e analisar questões relacionadas a fé, portanto, não pode julgá-la. Pode apenas estuda-la enquanto um aspecto cultural como qualquer outro, do mesmo modo que um sociólogo pode estudar a atuação das torcidas organizadas nos estádios de futebol.
Se a fé da pessoa é baseada apenas no “ouvir dizer”, ela é abalada, pois é uma fé teórica, e História é exatamente questionadora de teorias. A Ciência da História se apresenta para o historiador então como um desafio ao desenvolvimento de uma fé viva, prática. Se essa não for a sua prática de vida, mas apenas uma teoria, ela sucumbirá. O historiador não consegue estabelecer sua fé sobre alicerces puramente teóricos. Ele precisa de experiências de vida. Para crer na Palavra do Senhor, o historiador precisa vê-la, senti-la na prática. Ouvir falar da paz do Senhor não o satisfaz, se ele não puder senti-la em sua vida. É interessante isso, uma vez que a Bíblia já indica que uma fé teórica não tem vida. “Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta”. (Tiago 2:17)
“Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos”. (Tiago 1:22)
“Eu te conhecia só de ouvir, mas agora meus olhos te vêem”. (Jó 42:5)
Aos meus camaradas historiadores, e cientistas humanos de maneira geral, desejo-lhes uma fé viva!
Marcelo Fernandes