“Pois o amor de Cristo nos constrange…”

3 de outubro de 2011

Ciência e cristianismo na compreensão do mundo

Filed under: Fé/Ciência,Maximas,Poesia — Marcelo Fernandes @ 17:58

‎Na ciência temos lido apenas as notas de um poema, no cristianismo encontramos o poema em si.

C. S. Lewis

16 de agosto de 2011

Fé e Ciência: entrevista com José Funes

Filed under: Artigos Diversos,Fé/Ciência — Marcelo Fernandes @ 13:08

Entrevista muito interessante publicada no jornal O Globo. Discordo de alguns pontos, mas ele indica uma questão que é básica: a existência de Deus não pode ser provada ou refutada pela ciência.

A paz!

Marcelo Fernandes

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‘Não há conflitos entre ETs e a Igreja’

Publicada em 16/08/2011 às 02h54m

Cesar Baima (cesar.baima@oglobo.com.br)
Inspirado pelo que chama de “época de ouro” da conquista do espaço, que culminou com a chegada do homem à Lua em 1969, José Funes, então com seis anos, decidiu ser astrônomo. Quase 15 anos depois, porém, ouviu outro chamado, desta vez de Deus. Assim, logo depois que obteve seu diploma de astrônomo da Universidade de Córdoba, na Argentina, em 1985, ingressou na ordem dos jesuítas, recebendo novo diploma em filosofia antes de seguir para Roma, onde foi ordenado.

Em 2006 os dois caminhos se encontraram e Funes foi apontado diretor do Observatório do Vaticano pelo Papa Bento XVI. Homem de fé e de ciência, ele defende o diálogo como forma de superar os conflitos. Para ele, o Big Bang e o Gênesis não são contraditórios, e sim caminhos diferentes da eterna busca humana pelo conhecimento e pela verdade. Até a possibilidade de existência de vida extraterrestre já é aceita pela Igreja. “Não vejo contradição entre fé e ciência, pois a verdade é uma só”, diz ele, que está no Rio para participar do workshop “The Evolving Universe”, evento promovido pela PUC-Rio e pela Fundação Planetário.

Sendo, ao mesmo tempo, cientista e padre, como o senhor equilibra questões de ciência e fé?

JOSÉ FUNES: Não vejo contradição entre fé e ciência, pois a verdade é uma só. Creio que as duas ajudam e apoiam uma a outra. Claro que cada uma tem sua própria linguagem, método e perspectiva, mas podemos aprender da diversidade entre as duas. Houve conflitos no passado e provavelmente teremos conflitos no futuro, mas podemos superar esses conflitos com o diálogo.

Senhor certamente já ouviu questionamentos do tipo: “a Bíblia diz que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo, quando então ele teria criado o Universo?”. Como isso influencia o diálogo?

FUNES: É preciso estarmos atentos à linguagem, ao contexto e às culturas. A Bíblia não é um livro de ciência. Então, se estamos procurando uma explicação científica para o início do Universo, não vamos achar na Bíblia. A Bíblia é um livro que foi escrito entre 2 mil e 3 mil anos atrás e seus autores não tinham o conhecimento científico que temos hoje. O livro do Gênesis não diz como Deus criou o Universo, o que havia no seu começo, se era matéria escura, energia escura, átomos. Esse não é o escopo e o objetivo da Bíblia. Os autores da Bíblia foram inspirados por Deus para comunicar uma mensagem religiosa e não uma mensagem científica.

O senhor concorda que o Big Bang é a melhor explicação para a origem do Universo? O que sente quando dizem que ele não precisou da ação de Deus para acontecer?

FUNES: A teoria do Big Bang é a melhor explicação científica que temos hoje para a origem do Universo. Temos várias evidências de que o Universo tem cerca de 14 bilhões de anos e, com os dados que temos, é, sim, a melhor explicação disponível. Deus, para nós cristãos, não é a energia escura, a gravidade ou qualquer outra explicação científica de como o Universo se fez. Esse não é o Deus cristão. O Deus em que acreditamos é o pai de Jesus, autor da criação, o pai amoroso que toma conta de nós e nos ama tanto que nos enviou seu filho. Claro que se pensarmos Deus como a energia escura, a força da gravidade etc, não precisamos de Deus para explicar a realidade do Universo.

E quanto aos argumentos de que o Universo que vivemos é resultado de um desenho inteligente que seria a prova da existência de Deus?

FUNES: Se entendermos o desenho inteligente como um teoria científica ou um caminho teológico para Deus, não concordo, pois não é boa ciência, nem boa teologia. Segundo a teoria do Big Bang, de forma a termos vida como conhecemos, precisamos que o Universo tenha tido uma espécie sintonia fina. Se diferentes parâmetros físicos, como a massa do elétron, a constante da gravidade, a velocidade da luz, tivessem seus valores mudados, acabaríamos com um Universo diferente. Não é possível ter uma prova da existência de Deus do ponto de vista da ciência. Por outro lado, essas explicações científicas são racionais e compatíveis com nossa crença de que Deus é o Criador. Não vejo nenhum conflito real entre a teoria do Big Bang e o que sabemos pela fé. Do ponto de vista da fé, creio que há um propósito para a criação do Universo.

A Igreja aceita a possibilidade de existência de vida extraterrestre?

FUNES: Primeiro, deixemos bem claro que não temos provas de que exista vida no Universo fora da Terra. Dito isso, há um ramo interdisciplinar de estudo chamado astrobiologia que tem se desenvolvido muito nos últimos 20 anos e que tem como objetivo procurar por vida. Vivemos em um Universo com centenas de bilhões de galáxias, cada uma delas formada por centenas de bilhões de estrelas, que por sua vez têm centenas de bilhões de planetas orbitando elas, então é possível que haja vida lá fora no Universo. Vamos ver. Não há conflito entre a possibilidade de existência de vida extraterrestre e a doutrina da Igreja. Temos que fazer mais pesquisas, pois até o momento não temos provas da existência de vida fora da Terra. A Igreja encoraja essas pesquisas e não podemos fazer mais que isso.

E se encontrarmos vida fora da Terra e ela for diferente de nós, o senhor acha que há alguma contradição com os ensinamentos da Igreja? Afinal, a Bíblia não diz que fomos criados à imagem e semelhança de Deus?

FUNES: Não vejo nenhuma contradição entre a possibilidade de existência de vida no Universo com a fé em Deus como o Criador. Nós fomos criados à imagem de Deus, mas basicamente é nossa natureza espiritual que foi criada à imagem de Deus. Isso é que é importante. Outros seres podem ter sido criados com diferentes aparências, mas também abrigando a natureza espiritual de Deus.

O mesmo vale para a discussão entre criacionismo e evolução?

FUNES: Não sou biólogo, e sim astrônomo, mas posso dizer que do ponto de vista da ciência a evolução está comprovada. Na opinião da Igreja, não há oposição entre a criação e a evolução. Assim como no caso do Big Bang, são linguagens diferentes. Não podemos ler a Bíblia literalmente e isso está claro para a Igreja Católica. Ninguém na Igreja faria isso. E temos evidências da ciência de que as evolução existe. Assim como a vida, o Universo também evolui. Nos próprios processos físicos há evolução das galáxias, das estrelas, então a ideia da evolução é bem compreendida por nós.
PUBLICADO EM:
http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2011/08/15/nao-ha-conflitos-entre-ets-a-igreja-925136711.asp#ixzz1VCFMYRMH
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3 de fevereiro de 2011

Sobre Fé e Ciência

Filed under: Fé/Ciência,Maximas — Marcelo Fernandes @ 21:20

Fé e Ciência são as duas asas com as quais o espírito humano alça vôo para contemplar a verdade.

Karol Jósef Wojtila (Papa João Paulo II)

Citado na contracapa por Felipe Aquino no livro Ciência e Fé em harmonia, editora Cleófas.

5 de fevereiro de 2010

A fé dos historiadores

Filed under: Fé/Ciência,MarceloFernandes — Marcelo Fernandes @ 21:32

em tempo: esse texto, tal como outros, estava engavetado nos meus arquivos, aguardando refinamento para ser postado posteriormente. Mas como vão passando os meses e eu nunca consigo parar diante desses textos para concluí-los, decidi postar esse, mesmo sem estar concluído. Ainda assim, espero que seja abençoador.

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“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem”. (Hebreus 11:1)

“Cuidando que ninguém vos venha a enveredar por sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo”. (Colossenses 2:8)

      Já faz cinco anos que estou estudando o ofício do historiador. Mês passado obtive o título de bacharel nessa ciência. Algo importante em ser cristão e historiador é o estigma de que a História acaba com a fé das pessoas. Não é sem motivo, hoje compreendo melhor isso. A visão de mundo da pessoa que estuda história muda, e, creio, jamais retornará a algo semelhante do que foi.

     Antes de tudo, é preciso ter em mente o que é a Ciência História (ou a História, enquanto ciência). Ela não é um catálogo de verdades. Não é um registro das coisas que aconteceram, e principalmente, não é a verdade dos fatos. Isso é totalmente impossível para o homem, conhecer, seja por meio das ciências ou qualquer outro meio. O homem é limitado, mente e espíritos incapazes de contemplar o mínimo necessário para compreender o que poderíamos pensar como sendo verdade. Só com a ajuda do Espírito Santo o homem pode começar a andar nesse sentido. A História é uma ciência que muda com o tempo e o lugar. Isso é igualmente verdadeiro para qualquer Ciência Humana. A História, sempre limitada, é sempre uma mera interpretação de fragmentos do mundo. A História, como qualquer outra ciência, é incapaz de trabalhar e analisar questões relacionadas a fé, portanto, não pode julgá-la. Pode apenas estuda-la enquanto um aspecto cultural como qualquer outro, do mesmo modo que um sociólogo pode estudar a atuação das torcidas organizadas nos estádios de futebol.

     Se a fé da pessoa é baseada apenas no “ouvir dizer”, ela é abalada, pois é uma fé teórica, e História é exatamente questionadora de teorias. A Ciência da História se apresenta para o historiador então como um desafio ao desenvolvimento de uma fé viva, prática. Se essa não for a sua prática de vida, mas apenas uma teoria, ela sucumbirá. O historiador não consegue estabelecer sua fé sobre alicerces puramente teóricos. Ele precisa de experiências de vida. Para crer na Palavra do Senhor, o historiador precisa vê-la, senti-la na prática. Ouvir falar da paz do Senhor não o satisfaz, se ele não puder senti-la em sua vida. É interessante isso, uma vez que a Bíblia já indica que uma fé teórica não tem vida. “Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta”. (Tiago 2:17)

“Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos”. (Tiago 1:22)

“Eu te conhecia só de ouvir, mas agora meus olhos te vêem”. (Jó 42:5)

 Aos meus camaradas historiadores, e cientistas humanos de maneira geral, desejo-lhes uma fé viva!

Marcelo Fernandes

18 de junho de 2009

Os Historiadores e a Fé

Filed under: Artigos Diversos,Fé/Ciência — Marcelo Fernandes @ 19:25

Os Historiadores e a Fé

Geraldo Pieroni

A história é escrita de diferentes maneiras. Cada historiador elabora a “sua” história empenhando-se em compreender o passado e traçando a sua concepção do tempo, da sociedade e do real. De fato – como afirmou o historiador português José Mattoso, “não há gênero literário mais significativo para reconstruir a maneira como uma sociedade se pretende organizar do que a imagem que ela constrói do passado”.

Nesta multiplicidade de possibilidades historiográficas sensibilizou-me particularmente a experiência de um grupo de renomados historiadores franceses reunidos há  alguns anos, numa “mesa-redonda escrita”. Até hoje, o diálogo entre esses estudiosos, serve de referência para o meu trabalho de historiador. Naquela ocasião, cada um dos estudiosos, “testemunhou”, com o próprio empenho intelectual e pessoal, que acredita em Deus. O trabalho do historiador e a fé constituíram a questão central dos trabalhos apresentados.

Os historiadores que contribuíram para o evento eram todos especialistas em história religiosa. Uma dupla indagação dirigida a todos os participantes impulsionou os diversos estudos: “As nossas convicções religiosas influenciaram a nossa prática da História?”. “A nossa familiaridade com a história religiosa influencia as nossas decisões?”.

Além de importante contribuição “metodológica”, existia na intervenção de cada especialista uma profunda comunhão: sensibilidades diferentes que se uniam para partilhar a importância da fé no trabalho do historiador. Nicole Lemaître afirmou que o historiador que crê privilegia, como todos os outros, a construção da verdade científica, mas, ao mesmo tempo, ele “refuta absolutizar as verdades humanas para melhor respeitar a única verdade que vale para aquele que crê: Cristo”. Para Nicole Lemaître, “o cristianismo é vivido como construção coletiva na qual o respeito crítico e o fato de escutar reciprocamente são critérios de reconhecimento”.

Nesta perspectiva, a prática do amor cristão, estimula o historiador a respeitar a humanidade de outrora: “A nossa tarefa de historiadores conduz-nos a situar os homens do passado, leva-nos, mesmo com seus condicionamentos, a fazer um esforço de simpatia para compreendê-los em profundidade, sem julgá-los…”.

Outro participante, Marc Lienhard, salienta que sob a luz da ressurreição de Cristo, a História não acontece “por acaso”, mas é um “caminhar em direção a um horizonte, a uma estrada que conduz à revelação de Deus”. Nesta perspectiva, “somos convidados a ler a História em função da fé em Cristo crucificado e ressuscitado”.

O mesmo pensamento se manifesta nos outros historiadores. Marcel Bernos diz que para compreender os fiéis das outras religiões (eu acrescentaria também os que não crêem) é necessário “uma capacidade de simpatia em relação a eles”. Valorizando os aspectos positivos que unem os povos, Jean-Pierre Massaut continua: “O historiador dá a si por tarefa o conhecimento do outro e quer compreender sua alteridade”. Na opinião de Michel Mollat du Jourdin, se o historiador “quiser compreender os homens do passado, ele deve tornar-se conatural a eles”.

Nesta atitude de respeito e solidariedade, os historiadores salientam muitos outros valores a serem colocados em prática. Pierre Pierrard, por exemplo, afirma que “a História é a ciência dos homens no tempo, um longo encontro dos homens”. René Remond testemunha que o fato de possuir a fé faz com que o homem não seja “exterior ao mundo”, um “estrangeiro da História”.

A adesão à fé “inspira uma ideia de homem, uma concepção de humanidade, uma visão de História que não é feita para ser escondida: ela deve ser anunciada ao mundo; (…) a fé transmite-se de geração em geração, de continente a continente. Ela dá lugar a um ensinamento coletivo”.

Revelando o motor que impulsiona a História, Claude Savart declara que “o cristianismo é, por es-sência, de caráter histórico: tem como centro a pessoa de Jesus que surgiu num ponto determinado do tempo”. E, finalmente, Marc Venard: “A fé cristã enraíza-se numa História. Tudo no cristianismo se insere na História”.

Todos os testemunhos falam de “escuta”, “respeito”, “simpatia”, “compreensão”, “aprendizagem”, “encontro”: expressões que não querem ser apenas “palavras”, mas uma realidade construída por cada um individual e coletivamente. Na minha visão de historiador cristão, Deus entrou na História e é na História que nós temos a inteligência de seu mistério.

 *O autor é doutor em História pela Sorbonne de Paris e professor da Universidade Tuiuti do Paraná

 A História é a ciência dos homens no tempo, um longo encontro dos homens

Publicado no site Cidade Nova: http://www.cidadenova.org.br/RevistaCidadenova/ArtigoDetalhe.aspx?id=3503

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