“Pois o amor de Cristo nos constrange…”

5 de maio de 2011

Resenha de CRABB, L.; HUDSON, D.; e ANDREWS, A. O Silêncio de Adão

Filed under: MarceloFernandes,Resenhas — Marcelo Fernandes @ 14:36

Resenha de CRABB, Larry; HUDSON, Don; e ANDREWS, Al. O Silêncio de Adão. São Paulo: Vida Nova, 2009.

Dedico essa resenha ao meu amigo e irmão André Caruso, cristão exemplar e que está sempre disposto a me abençoar quando eu mais preciso.

——

“Eu costumava pensar que ser homem era pular da cama, toda manhã, com uma história perfeita – nenhum medo, nenhuma tragédia, nenhuma insegurança, nenhuma dúvida sobre si mesmo. Mas agora creio que, ser homem, nesse mundo é ser alguém que tem coragem de vencer seu medo, fé para responder as suas dúvidas e amor para levá-lo além da perda. A esperança, para mim, reside no meu potencial de tocar as pessoas redentoramente, nas gerações vindouras, em vez de apenas passar esbarrando por elas, como um fantasma torturado”. (testemunho de Don Hudson, p.24)

Fazer uma resenha sobre esse livro é ao mesmo tempo um imenso prazer e um duplo desafio. Prazer por trazer a memória as profundas e belas reflexões que ele instiga o leitor a fazer. O primeiro desafio é devido a riqueza da obra, o que demandaria páginas e mais páginas para uma resenha que de fato transmitisse a sua mensagem. O segundo desafio é pensar num modo de escrever aqui palavras que inquietem os leitores desta resenha, estimulando-os a ler o livro.

Bom, acho interessante explicar primeiro o título do livro (coisa que nele se encontra lá pelo meio). Os autores, realizando uma exegese bíblica bastante coerente, propõem que no relato bíblico de Gênesis no qual a serpente tenta Eva, Adão estava presente o tempo todo, e se omitiu, ficou calado. Ele teria tido a oportunidade de impedir a Queda, lembrando a ordem de Deus e trazendo ordem aquele momento de confusão. Sua omissão permitiu que o caos entrasse na ordem do Éden. Para os autores, desde então o homem tem a característica de se omitir quando deveria falar, fica acuado, na defensiva, quando deveria olhar para as trevas e desafiá-la.

Para os autores, ser homem é manter-se em movimento, é ser dotado de uma energia para agir. É interessante as passagens bíblicas e os estudos etimológicos que eles fazem para corroborar essa idéia, bem como os exemplos de suas próprias vidas, que creio a grande maioria dos homens se identificariam ao ler. A consequência da omissão do homem é uma corrupção de sua masculinidade, dessa sua energia. No lugar se ser um homem viril/piedoso (termo que eles usaram para designar o homem segundo a perfeita vontade de Deus, e desde Adão só Jesus teria sido desse modo), enfrentando o desconhecido para fazer a vontade do Pai e beneficiar os outros, a energia do homem corrompido após a Queda o leva a masculidade que conhecemos hoje, construtora de homens que tentam apresentar-se como perfeitos. Homens que os autores caracterizados muitas vezes por serem controladores, destrutivos ou egoístas, na verdade sentem-se inseguros de enfrentar o desconhecido, o caos, e que tentam andar em suas zonas de segurança, fazendo apenas aquilo que eles sabem que são bons, como em sua vida profissional. Essa noção de masculinidade apresenta efeitos devastadores nos relacionamentos desses homens, em especial naqueles que estão mais próximos, esposa, filhos, pais, amigos. E muitas vezes tudo isso pode ser mascarado por anos a fio, como cupins que comem uma casa feita de madeira por dentro sem que ninguém perceba, e quando se vê a casa cai de repente, como se fosse de papel.

Os autores criam vários conceitos em dualidade para criar exemplos limites, recurso didático que eles utilizaram muito bem. São exemplos as noções de teologia transcedental (que leva ao conhecimento e intimidade com Deus) x teologia da receita (qualquer problema tem uma solução fácil e pré-definida), e presbíteros (homens viris/piedosos que se lançam em abençoar os outros, sendo irmãos e mestres para estes) x profissionais (ou peritos, pessoas altamente especializadas e reconhecidas por um diploma, ou talento, mas que não são viris/piedosos).

O livro procura embasar-se na Bíblia, mas não faz profundas e complexas considerações teológicas, nem fica constantemente citando os textos bíblicos. Sua principal característica é alternar testemunhos pessoais dos autores e cenários fictícios que são absolutamente coerentes com análises sobre o comportamento, os sentimentos envolvidos e as consequências de possíveis escolhas.

Recomendo fortemente esse livro para aqueles que não são cristãos, pois suas reflexões sobre o comportamento humano são muito enriquecedoras. Para os que são cristãos, chego a considerá-lo obrigatório, por desafiar os homens a enfrentar-se e proporcionar reflexões que essa vida corrida do século XXI tanto nos dificulta a fazer, e que fazem toda a diferença na vida de um homem e das pessoas a sua volta. Ainda que voltado para homens, considero também uma boa leitura para as mulheres, pois o livro é rico ao pensar em questões de fé, amor e propósitos divinos, independente de diferenças de gênero.

A paz!

Marcelo Fernandes

11 de dezembro de 2010

Resenha Tozer. Cinco votos para obter poder espiritual

Filed under: MarceloFernandes,Resenhas — Marcelo Fernandes @ 21:55

Semana passada meu pai me recomendou a leitura de um pequeno livro que ele estava lendo. Trata-se de uma obra de Aiden Wilson Tozer, pastor americano da primeira metade do séc. XX. O título é Cinco votos para obter poder espiritual, e foi publicado no Brasil pela Editora dos Clássicos, como parte da série Verdades que Transformam.

Confesso que tive um breve momento de resistência em ler um livro que vincula “votos” a expressão “poder espiritual”, me pareceu um pouco de legalismo. Quando li o prefácio, escrito por Gérson Lima em 2004, achei interessante perceber que ele também teve a mesma resistência inicial. Ele contou como encontrou a obra pela primeira vez ainda no início dos anos 90, em uma estante empoeirada e esquecida de uma livraria em Londrina, e como desde então estava ávido a trazê-la ao grande público. Segundo ele, o objetivo da Editora dos Clássicos é exatamente publicar pérolas pouco conhecidas. Após a leitura do livro, inegavelmente concordei com ele que trata-se de uma jóia, de fato uma verdade que transforma.

O livro publicado por aqui é dividido em três partes. A primeira trata-se do texto do título propriamente dito. Como é um texto muito breve e inviabilizaria sua publicação sozinho, foi anexado outro texto do próprio Tozer, A vida cheia do Espírito, e outra preciosidade de apenas quatro páginas e de autor desconhecido, de título O chamado do alto. Pensaremos aqui somente sobre o primeiro texto.

Os votos são:

1) trate seriamente com o pecado;

2) não seja dono de coisa alguma;

3) nunca se defenda;

4) nunca passe adiante algo que prejudique alguém; e

5) nunca aceite qualquer glória.

A idéia de voto de Tozer nada mais é do que nos confrontar com algumas verdades bíblicas de maneira simples, sem rodeios filosóficos. Ele nos mostra como muitas vezes tomamos posicionamentos firmes com a mente, mas que logo os relativizamos na prática e passamos ao auto-engano. As considerações feitas em cada voto são feitas à luz da Bíblia e de situações cotidianas, demonstrando como a fé e o comprometimento do cristão em viver e ser canal da Graça fazem com que o cumprimento desses votos seja possível. Mais do que em poder espiritual, penso na nossa libertação de vícios que desagradam a Deus e atrapalham o nosso relacionamento com Ele.

Resumindo: livro recomendadíssimo!

A paz!

Marcelo Fernandes

13 de novembro de 2009

Resenha de Augusto Cury, O Mestre dos Mestres

Filed under: MarceloFernandes,Resenhas — Marcelo Fernandes @ 12:16

          Em meio a correria desse final de ano, finalmente consegui terminar a leitura do livro de Augusto Cury – O Mestre dos Mestres: Jesus, o maior educador da história, primeiro livro de sua série Análise da Inteligência de Cristo.

          Bom, trata-se do primeiro livro que leio desse autor. E apesar dele receber críticas de alguns, sinceramente eu gostei do livro. Ainda que não goste de livros na linha de auto-ajuda (algo que tem sido muito pregado por aí, usando o evangelho apenas como pano de fundo), destaco que essa obra de Cury, lançada em 2006, destaca-se de outros livros que tenho lido principalmente por auxiliar o leitor a refletir sobre o amor de Jesus Cristo manifesto em suas palavras e ações antes da cruz. Considero isso muito interessante porque normalmente lembramos apenas desta que foi a prova maior de amor, mas não damos atenção a abnegação de Cristo no cotidiano dele. Cury costuma pensar as ações e palavras de Jesus em seu contexto judaico e como seria se uma pessoa os fizessem na atualidade, o que enriqueceu suas reflexões.

          Outro ponto que ressalto é que as quase duzentas páginas do livro refletem quase duzentas páginas de conteúdo! Isso vem na contramão do mercado editorial atual, no qual os livros acabam em vinte ou trinta páginas e depois tem umas cinquenta páginas de pura enrolação. Enfim, com prova pro mestrado em menos de duas semanas, preciso voltar aos estudos, só passei aqui hoje pra dizer que recomendo esse livro.

Paz!  Marcelo Fernandes

3 de agosto de 2009

Resenha de Conflitos?, de Décio Moraes

Filed under: MarceloFernandes,Resenhas — Marcelo Fernandes @ 18:08

          Já tem algum tempo que venho buscando a direção de Deus devido ao número excessivo de ministérios que participo. Precisava descobrir melhor meus dons, saber onde Deus quer que eu O sirva… foi nesse contexto que eu reli um capítulo desse livro. Resolvi resenha-lo para compartilhar um pouco dele com os outros.

          Conflitos? foi escrito pelo pastor Décio Moraes, e publicado em 2005 pela editora UNIGEVAN – hoje editora Sara Kalley. As 79 páginas do livro podem ser devoradas em 2 horas, já que a linguagem é fácil e muitas vezes bem humorada (uma característica do autor), além do tamanho grande da letra. Entretanto, a obra é melhor aproveitada se lida em nove “prestações”, uma para cada tema trabalhado nele: ativismo, secularismo, avivamento, emocionalismo, tradicionalismo, conflitos espirituais, revelações, liderança e doutrina.

          O livro trata de problemas que as pessoas costumam enfrentar nas igrejas, em cada tema que citei. Eles são apresentados com uma breve explanação normalmente de duas páginas, seguidos de uma estória fictícia na qual uma pessoa ou igreja enfrenta o problema que é tema do capítulo. Por fim, são feitas perguntas ao leitor, estimulando-o a pensar no assunto e como ele poderia tentar resolver o problema. A experiência do autor de mais de dez anos de ministério pastoral e sua didática de professor universitário foram habilmente utilizadas na produção da obra.

          Recomendo Conflitos? pela riqueza de conteúdo, que com certeza edifica a gregos e troianos, pela facilidade de leitura e ensino, e por abarcar de maneira satisfatória diversos temas. Uma reunião de qualidades dificilmente encontradas em uma única obra.

          A editora Sara Kalley vende o livro por R$10,00. Ela fica na Rua Visconde de Inhaúma, 134,19º andar – sede da União das Igrejas Congregacionais do Brasil -, no centro do Rio, próximo do cruzamento da Av. Presidente Vargas com a Rua Uruguaiana. Tel. 2283-0205.

 Paz!

Marcelo Fernandes

23 de junho de 2009

Resenha NDOFUSU – Denominação, semente da desunião

Filed under: MarceloFernandes,Resenhas — Marcelo Fernandes @ 14:24

     Semanas atrás ouvi de um professor da faculdade sobre de uma monografia elaborada por um graduando de filosofia da UFRJ na década passada. O tema e o título me chamaram atenção. Procurei o trabalho na biblioteca do IFCS – o campus em que estudo – e para minha surpresa ele foi publicado em livro. O li ontem.

     O angolano Lola Ndofusu, então pastor da Assembléia de Deus do Campo de Mesquita (não sei se ainda o é até a atualidade), expôs suas reflexões nas 136 páginas de Denominação, semente da desunião: um diálogo que busca a compreensão entre as denominações para evitar a desunião. Infelizmente a editora Plenitude Arte Plena não teve o cuidado de informar no livro o ano da publicação.

     Antes mesmo dos agradecimentos, da introdução e dos dois prefácios (muito interessantes, vale ressaltar, feitos pelos pastores Nemuel Kessler e Alex de Mello Cardoso), há uma citação do teólogo austríaco Rowland Croucher: “O amor cristão deve transcender nossas discordâncias teológicas honestas”. Essa é a tônica do conteúdo que espera o leitor nas páginas seguintes, uma veemente crítica aos que defendem as denominações como o cerne do cristianismo, em detrimento do amor de Cristo. Ao defender a primazia de amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo, o autor demonstra como o orgulho denominacional promove divisão e está longe dos ensinamentos de Jesus. Para tal, muitas passagens bíblicas, sobretudo dos Evangelhos, são transcritas e analisadas.

     “A denominação não traz bênção alguma, o que faz com que sejamos abençoados é a mensagem do evangelho que liberta (…) A denominação pressupõe diferenças, sempre que surge uma nova, notamos que a mesma quer ser diferente de todas as outras, com o intuito de ser a ‘melhor’” (p.58).

      Ndofuso defende o diálogo, respeito e amor sincero entre as denominações e seus membros, enfatizando o que é comum entre eles: a fé no Cristo, a salvação que vem da cruz. Usa constantemente os conceitos de Igreja Visível e Invisível, nos lembrando que o Corpo de Cristo não é composto de apenas uma denominação. Demonstra como muitos afirmam isso com os lábios, mas negam com seus atos. Dentre alguns exemplos citados de motivações vãs para as cisões denominacionais, o apego excessivo aos costumes, que alguns acabam por considerar tão importantes quanto a doutrina (usar terno não é pré-requisito de santidade!). Ele recomenda ao leitor a leitura da Bíblia, a obediência à Palavra e buscar a direção de Deus em oração, coisas básicas que muitos se esquecem.

     Falando de discordâncias teológicas, o autor demonstra erudição ao citar diferentes doutrinas elaboradas desde o primeiro século, como o arianismo e o maniqueísmo. Nesse ponto os historiadores podem considerá-lo um pouco ingênuo, dado o modo como o autor lida com o passado (Lutero parece não ter defeitos). Entretanto, é preciso lembrar que Ndofuso não é historiador e em nenhum momento pretendeu seguir as regras acadêmicas desse ofício. Ele apenas usa os casos passados como exemplos. Sua reflexão tem objetivo de tocar na nossa ferida, como cristãos da atualidade que perdem Jesus do foco e se arrogam de tradições e supostas heranças espirituais que, por si só, não salvam uma alma sequer, muito menos a nossa.

     Recomendo, portanto, esta obra de Ndofusu por nos exortar ao amor fraterno, para que “nos tratemos como irmãos, e não primos na fé” (parafraseando o autor).

Paz!

Marcelo Fernandes

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